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Sharenting - Expor os Filhos

  • Foto do escritor: Rogério de Oliveira Fernandes
    Rogério de Oliveira Fernandes
  • 21 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 4 de ago. de 2025

Uma mãe a Expor o Filho nas Redes Sociais
Uma mãe a Expor o Filho nas Redes Sociais - Imagem gerada por I.A.


Aquele post fofo do seu filho na festinha da escola rendeu 200 curtidas. O vídeo dele falando a primeira palavra viralizou no grupo da família. Parece inofensivo, certo?


Um ato de amor.


Mas pare por um instante e respire.


Você sabe quem são todas as pessoas que viram, salvaram e talvez tenham compartilhado essas imagens? Você já se perguntou que tipo de rastro digital está construindo para uma pessoa... sem o consentimento dela?


Se essa pergunta te causou um mínimo de desconforto, você está no caminho certo. Esse hábito, tão comum e normalizado, de compartilhar exaustivamente a vida dos filhos na internet tem um nome: Sharenting (uma mistura de share/compartilhar e parenting/parentalidade).


E o que começa como uma demonstração de orgulho pode se transformar em um campo minado de riscos e, sim, de implicações jurídicas que a maioria dos pais desconhece completamente.


A discussão sobre Sharenting não é "frescura". É uma questão urgente de proteção.



O Lado Oculto do Like: Os Riscos Reais do Sharenting


Por trás da tela colorida e dos corações pulsantes, existem perigos concretos que todo pai e mãe precisam encarar de frente. Isso não é para te assustar, é para te armar com informação.


  • Pegada Digital Permanente: Tudo o que você posta cria uma identidade digital para seu filho. Fotos de banho, birras, informações sobre a escola, problemas de saúde... tudo isso fica registrado. Essa "biografia não autorizada" pode ser usada contra ele no futuro, em contextos de bullying ou até mesmo em processos seletivos de emprego.


  • Riscos à Segurança Física: Postar fotos em tempo real com a localização da escola, do parquinho ou de casa é um convite aberto para pessoas mal-intencionadas. É um vazamento de segurança que, na vida analógica, jamais faríamos.


  • "Sequestro Digital" e Uso Indevido de Imagem: Pessoas podem pegar as fotos do seu filho e usá-las em perfis falsos, em campanhas publicitárias fraudulentas ou, no pior dos cenários, em redes de pedofilia. A inocência do seu filho pode alimentar a indústria da exploração.


  • Impacto na Saúde Mental da Criança: Ao crescer, a criança pode se sentir constrangida, exposta e ressentida por ter tido sua vida inteira documentada publicamente sem sua permissão.


Se essas informações acenderam um alerta, ótimo. É o primeiro passo para uma parentalidade mais consciente. Salve este post e use-o como um guia para proteger sua família.



Sharenting e a Lei: Onde o Direito de Postar Acaba?


Aqui está o ponto central que transforma o Sharenting de um debate moral para uma questão legal. No Brasil, a lei é clara em proteger os menores.


O Direito à Imagem, à Privacidade e à Honra é garantido pela Constituição Federal (Art. 5º) e pelo Código Civil e, mais importante, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seus artigos 17 e 18, assegura o direito ao respeito e à dignidade, afirmando que a criança deve ser colocada a salvo de qualquer tratamento vexatório ou constrangedor.


O que isso significa, na prática? Que o seu direito como pai ou mãe de compartilhar momentos não é absoluto. Ele é limitado pelo direito fundamental do seu filho de ter sua imagem e privacidade protegidas.


Postar uma foto que humilhe, exponha a uma situação vexatória (como um castigo ou uma birra intensa) ou que simplesmente revele dados íntimos pode ser, sim, considerado uma violação desses direitos.


Conhece alguém que precisa entender esses limites? Compartilhe este artigo. Espalhar conhecimento é a forma mais eficaz de prevenção.



Divórcio e Sharenting: O Campo de Batalha Digital


O problema se agrava exponencialmente quando os pais se separam.


O Sharenting vira uma arma. Um dos pais, querendo mostrar que a vida de solteiro é ótima, expõe a criança em festas e viagens. O outro, mais reservado, se desespera com a falta de controle.


Essa "guerra de exposição" é extremamente prejudicial à criança e é um ponto de conflito cada vez mais comum nos processos de divórcio, com isso, a Justiça tem sido chamada a intervir.


A solução? Cláusulas Digitais no Acordo de Convivência.


Assim como se definem regras sobre pensão e dias de visita, é perfeitamente possível (e altamente recomendável) incluir no plano parental regras claras sobre a exposição online da criança:


  • Consentimento Mútuo: Definir que qualquer postagem da criança em redes sociais abertas exige o consentimento prévio de ambos os genitores.


  • Tipos de Conteúdo Proibido: Listar explicitamente o que não pode ser postado (ex: fotos de uniforme, em situações de intimidade, informações de saúde, etc.).


  • Criação de Perfis: Proibir a criação de perfis em redes sociais para a criança antes de uma idade acordada.


  • Revisão Periódica: Acordar que essas regras serão revistas anualmente, conforme a criança cresce e desenvolve sua própria vontade.


Incluir essas cláusulas não é falta de confiança, é um ato de responsabilidade parental conjunta. É blindar a criança dos conflitos e da vaidade dos adultos.



Compromisso com uma Infância Segura


O Sharenting desregulado é uma das novas fronteiras onde a proteção às crianças é desafiada.


A era digital trouxe desafios inéditos, mas os princípios que nos guiam são atemporais: cuidado, proteção e o melhor interesse da criança. O direito não é um obstáculo à parentalidade; é o manual de instruções para exercê-la da forma mais segura possível.



Se este tema ressoou em você e te fez questionar suas práticas ou as do seu ex-parceiro, o objetivo foi alcançado. Siga nosso conteúdo para continuarmos essa conversa sobre como proteger nossas crianças no mundo de hoje.



Se o diálogo sobre os limites do Sharenting em sua família se tornou impossível, lembre-se que a lei existe para ser o mediador. Consulte seu advogado de confiança.

1 comentário


Andressa Lima Mangiavacchi
Andressa Lima Mangiavacchi
21 de jul. de 2025

👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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©2023 por Rogério de Oliveira Fernandes

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