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Direitos da Gestante no Parto - Seu Parto Foi "Ruim" ou Foi Violência Obstétrica?

  • Foto do escritor: Rogério de Oliveira Fernandes
    Rogério de Oliveira Fernandes
  • 24 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de ago. de 2025

Uma mulher angustiada em trabalho de parto
Uma mulher angustiada em trabalho de parto - Imagem gerada por I.A.

"Na hora, a gente nem pensa. A dor é tanta, o medo é tanto... a gente só quer que o bebê nasça bem". Essa frase, ou uma variação dela, ecoa em inúmeros relatos de parto. Mas, e depois? Quando a adrenalina baixa e a memória repassa os flashes daquele momento, surgem as perguntas. Por que aquele médico gritou comigo? Por que fizeram aquele corte sem me explicar? Por que me negaram a companhia do meu marido na hora H? Por que me senti tão humilhada e impotente?


Para muitas mulheres, a resposta é um suspiro conformado: "Foi um parto ruim. Acontece."


Eu estou aqui para te dizer, com todas as letras: NÃO. Pode não ter sido "um parto ruim". Pode ter sido violência. E essa diferença, perante a lei, é brutal e pode gerar o dever de indenizar.


O que vou compartilhar aqui não é para assustar, mas para armar você com a ferramenta mais poderosa que existe: o conhecimento. Vamos desmistificar o que é violência obstétrica e o desrespeito dos direitos da gestante no parto e mostrar o caminho para que a sua dor não seja apenas uma história triste, mas um ponto final na impunidade.



A Normalização do Absurdo: Por Que "Sempre Foi Assim" Não é Resposta



A violência obstétrica é uma das formas mais cruéis de violência de gênero, pois acontece em um momento de extrema vulnerabilidade física e emocional da mulher. Ela se esconde atrás de uma cortina de "procedimentos padrões" e da desculpa de que "é para o bem do bebê".


Frases como "Na minha época era pior", "pare de gritar, você não está colaborando" ou "se não fizer o que eu mando, seu filho pode morrer" não são conselhos médicos. São armas de coação psicológica. Procedimentos invasivos feitos às pressas, sem explicação ou consentimento, não são "o jeito mais rápido". São violações do seu corpo e da sua dignidade.


A lei brasileira, fundamentada na Constituição, no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor, é clara: a relação médico-paciente deve ser baseada no respeito, na informação clara e no consentimento. Quando essa base é quebrada, o ato médico pode se tornar um ato ilícito.



H2: O Que é Violência Obstétrica, Afinal? Não é Só sobre Agressão Física



Muitos pensam que a violência obstétrica se resume a um erro médico que causa um dano físico grave. Isso é apenas a ponta do iceberg. A lei e as organizações de saúde reconhecem diversas formas. Identifique se você passou por alguma delas:


  • Violência Verbal/Psicológica: Ser xingada, humilhada, ironizada. Ter seus medos e dores invalidados. Sofrer ameaças de que algo ruim acontecerá com o bebê se você não "colaborar".


  • Procedimentos Não Autorizados ou Desnecessários: A episiotomia (o famoso "pique") feita de rotina, sem indicação clínica real e sem seu consentimento informado. A Manobra de Kristeller (pressionar a barriga da mãe para "empurrar" o bebê), uma prática proscrita pela OMS e perigosa.


  • Negação de Direitos Básicos: Impedir a presença do acompanhante de sua escolha (um direito garantido por Lei Federal nº 11.108/2005). Negar acesso à água ou a métodos não-farmacológicos de alívio da dor.


  • Negligência: Ser deixada sozinha por longos períodos, ter seus chamados de dor ignorados.


  • Violência Sexual: Toques vaginais repetitivos e dolorosos, feitos por múltiplos profissionais sem necessidade ou consentimento. Comentários de cunho sexual sobre seu corpo.


Se qualquer um desses pontos ressoou em você, o que você viveu não foi "normal".



H2: As Desculpas Mais Comuns para o Desrespeito dos Direitos da Mulher Gestante



No campo de batalha do parto, as desculpas são muitas. Mas para cada uma delas, existe um direito seu.


  • A desculpa: "É para o bem do bebê."

    • A realidade jurídica: O bem-estar do bebê nunca pode ser usado como justificativa para violar a dignidade da mãe. Você tem o direito de receber informações claras sobre os riscos e benefícios de CADA procedimento para tomar uma decisão conjunta com a equipe.


  • A desculpa: "Não temos tempo para isso agora."

    • A realidade jurídica: O consentimento informado é a pedra angular do ato médico. Salvo em casos de risco iminente e real de morte, onde a mulher está inconsciente, qualquer procedimento invasivo exige sua autorização.


  • A desculpa: "Você é muito mole para a dor."

    • A realidade jurídica: Isso é violência psicológica. Ponto. Fere sua dignidade e configura um tratamento desumano, passível de reparação por dano moral.



H2: "Fui Vítima. E Agora?" O Caminho de 3 Passos para a Justiça.



Sentir-se vítima é paralisante. Mas saber que existem passos concretos para buscar a reparação é libertador. Se você acredita que sofreu violência obstétrica, este é o caminho:


  1. Reúna as Provas (Seu Arsenal): O documento mais importante é seu prontuário médico completo. O hospital é OBRIGADO a fornecer uma cópia. Anote nomes de todos os profissionais que te atenderam. Seu acompanhante é uma testemunha crucial. Se você tinha um plano de parto, ele também serve como prova de que suas vontades foram ignoradas.


  2. Denuncie nos Órgãos Administrativos: Você pode e deve registrar uma queixa no Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado. Isso pode gerar uma punição disciplinar para o médico. Também registre na ouvidoria do hospital ou da Secretaria de Saúde.


  3. Busque a Reparação Judicial: A denúncia no CRM não exclui a busca por seus direitos na Justiça. Através de uma ação de indenização por danos morais, você pode buscar uma compensação financeira pela dor, pelo trauma e pela violação da sua dignidade.



Se, ao ler este texto, seu coração acelerou e as memórias de um parto doloroso vieram à tona, saiba que você não está sozinha e, principalmente, que a sua dor é válida e tem amparo legal.


Não silencie o que aconteceu. Não deixe que o "sempre foi assim" seja a justificativa para o seu sofrimento. Transformar sua dor em ação é um ato de amor-próprio e um passo para garantir que outras mulheres não passem pelo mesmo.


Consulte seu advogado de confiança, capaz de entender sua história e traçar um caminho para a sua reparação e paz de espírito. Você merece justiça!


Este artigo é uma ferramenta de poder. Salve para ter sempre à mão e compartilhe com todas as gestantes, mães, amigas e familiares. A informação é a melhor anestesia contra a violência.


1 comentário


Andressa Lima Mangiavacchi
Andressa Lima Mangiavacchi
21 de jul. de 2025

🥺🥺

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©2023 por Rogério de Oliveira Fernandes

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