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Deepfake: O risco aos seus filhos

  • Foto do escritor: Rogério de Oliveira Fernandes
    Rogério de Oliveira Fernandes
  • 29 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 4 de ago. de 2025

Uma mãe descobrindo uma montagem feita por terceiros via Inteligência Virtual (deepfake) utilizando a imagem de sua filha
Uma mãe descobrindo uma montagem feita por terceiros via Inteligência Artificial (deepfake) utilizando a imagem de sua filha - Imagem gerada por I.A.

Quando o telefone toca de madrugada trazendo a notícia: alguém espalhou uma imagem falsa, com nudez, com o rosto da sua filha, o impacto é imediato e profundo.


"É impossível, nossa menina é inocente".


Mas a tecnologia da inteligência artificial cria essa realidade cruel — deepfakes que das telas invadem nossa vida real.


Se você é mãe, pai ou responsável por adolescentes na sua família, ou se você é mulher, talvez este roteiro dramático seja uma preocupação assustadoramente constante.


A ameaça não está só na rua, chegou nas telas, nas redes sociais, na intimidade digital das famílias.


A pergunta urgente é: como essa nova forma de violência digital funciona, como a lei brasileira está reagindo, e o que você pode fazer para proteger quem ama?



Deepfakes: A Nova Armadilha Digital



Deepfakes são vídeos, imagens ou áudios manipulados por inteligência artificial para criar falsas situações que parecem reais.


Nos crimes digitais sexuais, essas técnicas são usadas para sobrepor rostos em corpos em poses sensuais, nudez ou atos íntimos, criando uma ilusão cruel.


No Brasil, já há casos alarmantes: adolescentes usando a tecnologia para editar imagens de colegas, compartilhando conteúdo falso de nudez em grupos escolares — como noticiado em casos na Barra da Tijuca. Outra vítima recente foi a deputada federal Tabata Amaral, que enfrentou a publicação de deepfakes com seu rosto em poses sexualizadas durante sua campanha eleitoral, o que levou à ação judicial por injúria eleitoral.


Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023 revelam que os casos de violência psicológica e perseguição virtual — ameaças que muitas vezes começam online e acabam repercutindo dentro de casa — cresceram mais de 30% só em 2023. Isso significa que, se antes o medo era de ataques físicos, agora o perigo também pode estar em um simples áudio de WhatsApp.


Esse tipo de crime gera chantagem, constrangimento, pressão psicológica e danos diretos à integridade emocional, especialmente de mulheres e jovens, afetando suas vidas pessoais e familiares.






A legislação brasileira tem avançado para enfrentar esse cenário. A Lei nº 15.123/2025, por exemplo, agravou penas para crimes de violência psicológica cometidos com uso de IA.


Além disso, projetos atuais no Congresso, como o PL 3.821/2024, prevêem criminalização específica para a criação, manipulação e divulgação de nudez falsa por IA, com penas de 2 a 6 anos, com agravantes para vítimas mulheres, crianças e adolescentes.


Essas normas reconhecem que o dano não está apenas no corpo, mas na honra, identidade e diretos das vítimas, posicionando esses crimes como violações sérias, que atingem diretamente a dignidade humana protegida pela Constituição.



O que Muda Contra o Deepfake?



O advento da Lei nº 15.123/2025 traz muitas mudanças importantes:


  • Manipulação de áudio, imagem ou texto por inteligência artificial agora está enquadrada como crime digital, com punição aumentada.


  • Nos casos de perseguição virtual e violência psicológica, as penas podem ser até 50% maiores.


  • Não é mais necessário provar lesão física: só o dano emocional ou psicológico já basta para buscar proteção.


  • A vítima pode pedir à justiça a investigação de provas digitais e solicitar perícia técnica.


  • O agressor pode ser monitorado eletronicamente em situações de risco, protegendo de fato quem precisa.


  • A inclusão e proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade é prioridade absoluta.



Como Isso Impacta Você?



Se alguém altera fotos, vídeos ou áudios para tentar te prejudicar via Deepfake, agora existe respaldo para pedir investigação, perícia e punição adequada — tudo sem precisar passar pelo desgaste de provar violência física ou aguardar por decisões demoradas.


Em casos de perseguição digital, basta registrar um boletim de ocorrência e reunir provas, mesmo que sejam mensagens ou prints.


Além disso, o agressor pode ser impedido de se aproximar, inclusive sendo monitorado eletronicamente (sem falar da Medida Protetiva), o que traz ainda mais tranquilidade para mães, famílias atípicas e todos que buscam reconstruir a paz após situações de crise.



O Que Fazer se Você ou Alguém da sua Família for Alvo da Inteligência Artificial?



Sempre monitore o que seus filhos acessam, com vistas a protegê-los do deepfake
Sempre monitore o que seus filhos acessam - Imagem gerada por I.A.

  1. Fique atento à vida digital dos seus filhos: compreenda quais aplicativos e grupos eles

    frequentam. A conversa aberta é um escudo.


  2. Documente tudo: salve prints, áudios, vídeos. Essas provas são essenciais para a denúncia.


  3. Compartilhe informações seguras com familiares e amigos. Muito do que protege agora vai além das paredes de casa — começa em cada grupo do WhatsApp, cada perfil no Instagram.


  4. Não tenha vergonha: busque orientação especializada. Seu direito vale, e agora, a lei está do seu lado. um advogado antenado pode orientar sobre perícia técnica, medidas protetivas e encaminhamento judicial.


  5. Registre boletim de ocorrência imediatamente: crimes digitais são investigáveis e puníveis.


  6. Não coloque a culpa na vítima: ofereça apoio emocional e psicológico, fundamental para a recuperação.


  7. Eduque sobre os riscos e direitos: fortalecer o conhecimento é a melhor prevenção.


  8. Busque orientação sobre perícia digital: é possível provar que imagens ou sons foram manipulados.



Por que é Essencial que Você Saiba Disso



O avanço da inteligência artificial criou novas ameaças que as famílias ainda estão aprendendo a identificar e combater.


Para mães, pais e responsáveis essa informação é poder. Ela pode fazer a diferença entre a vítima continuar sofrendo no silêncio ou buscar proteção rápida, eficaz e dentro da lei.


Nos últimos anos, crescem os casos nos quais imagens de nudez falsas são criadas a partir de fotos reais usando deepfake. Jovens e mulheres, muitas vezes em ambientes escolares ou de convivência familiar, têm sido vítimas de edições que simulam nudez ou atos sexuais, usados depois para ameaçar, constranger e forçar favores sexuais. É uma forma cruel de violência psicológica que reforça o ciclo de medo e exclusão.


No Brasil, o silêncio e o desconhecimento ainda são os maiores aliados dos agressores digitais. Romper esse ciclo exige informação qualificada e ação.




Caminhos para a Proteção



  • Compartilhe este texto com familiares e amigos.


  • Converse abertamente sobre os perigos e direitos digitais.


  • Mantenha-se atualizado sobre as mudanças legais.


  • Siga canais e perfis que abordem o tema com clareza e responsabilidade.



Se esta informação lhe foi importante compartilhe para que mais pessoas tenham acesso às formas de se proteger e caso haja dúvidas ou você ou alguém tenha sido vítima de deepfake, procure o seu advogado de confiança!

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©2023 por Rogério de Oliveira Fernandes

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