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A Luta de um Pai ou Mãe de uma Criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

  • Foto do escritor: Rogério de Oliveira Fernandes
    Rogério de Oliveira Fernandes
  • 27 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 29 de jul. de 2025

A luta de uma mãe ou de um pai de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não termina no diagnóstico. Na verdade, é ali que a verdadeira jornada começa. Essa jornada é marcada por amor incondicional e pela exaustão diante de portas fechadas. É comum receber informações desencontradas e negativas que soam como sentenças: "não cobrimos essa terapia", "não há vagas" ou "seu filho não tem direito".


Se você está nesse campo de batalha, saiba que essa exaustão é compreensível. No entanto, a resignação não é uma opção viável.


Entendendo Seus Direitos e A Importância do Conhecimento


Muitas das negativas que parecem ser barreiras intransponíveis são, na verdade, práticas ilegais. No Brasil, a Lei Berenice Piana (nº 12.764/2012) cria um escudo de proteção para as pessoas com TEA. É crucial que você aprenda a usar essa legislação como uma ferramenta para garantir o futuro do seu filho. Quando você se deparar com a resposta: "tratamento negado", lembre-se de que há um caminho a seguir.


O que vou te mostrar aqui não é mera teoria; é um mapa prático e jurídico para transformar "nãos" em "sims". Conhecer a legislação pode ser um divisor de águas para a vida do seu filho.


Desmontando o "Não Pode": As Desculpas Mais Comuns e a Força da Lei


A primeira coisa a entender é que a palavra final sobre o tratamento do seu filho deve vir do médico especialista que o acompanha. Não deve ser decidida por um auditor do plano de saúde ou gestor do SUS. Se o tratamento é prescrito, ele é necessário. Vamos ver como derrubar as desculpas mais comuns:


  • A desculpa do Plano de Saúde: "Esta terapia (ABA, Denver, etc.) não está no rol da ANS."

- A Verdade: Essa é talvez a mentira mais repetida. Os tribunais têm o entendimento de que, para uma série de casos, incluindo o TEA, o rol de procedimentos da ANS é exemplificativo. Isso significa que ele representa o MÍNIMO que os planos devem cobrir. Se a terapia prescrita pelo médico, mesmo fora do rol, é a mais indicada para o tratamento, o plano é obrigado a custear. A recusa é abusiva e ilegal.


  • A desculpa do Plano e do SUS: "Existe um limite de sessões por ano."

- A Verdade Jurídica: Para o tratamento de TEA, a noção de "limite" é descabida. O tratamento é contínuo e a sua intensidade deve ser definida pela equipe médica, não por uma tabela administrativa. Limitar o número de sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional ou psicoterapia é o mesmo que negar o tratamento. Os tribunais consideram essa prática como ilegal, garantindo a cobertura ilimitada conforme a necessidade do paciente.


  • A desculpa do Plano de Saúde: "Não temos profissionais especializados em nossa rede credenciada."

- A Verdade Jurídica: A falta de profissionais na rede é um problema do plano de saúde, não seu. Se o plano não oferece um terapeuta qualificado (por exemplo, com certificação ABA), ele deve cobrir os custos de um profissional particular de sua escolha, ou então, contratar um e disponibilizá-lo em tempo hábil. A ausência de profissionais na rede não exime a responsabilidade do plano.


Tratamento Negado? - O Plano de Ação Jurídico


Você argumentou e mostrou a lei, mas mesmo assim a negativa persiste. O que fazer agora? É hora de adotar uma estratégia eficaz.


  1. A Notificação Extrajudicial: Este é o primeiro passo formal. Consiste em um documento elaborado por um advogado e enviado ao plano de saúde ou à secretaria de saúde. Nele, você detalha a prescrição médica, a base legal do seu direito e estabelece um prazo para a liberação do tratamento negado. Muitas vezes, essa notificação já é suficiente, pois demonstra que você conhece seus direitos e está disposta a lutar.


  2. A Reclamação Administrativa: Ao mesmo tempo, registre uma queixa formal na ouvidoria do SUS ou, no caso dos planos de saúde, notifique o Setor de Atendimento ao Cliente (SAC). Depois, envie uma Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) para a ANS. Isso cria um registro oficial do tratamento que foi negado, contribuindo ainda mais para sua defesa.


  3. A Ação Judicial com Pedido Liminar: Esta é a arma mais poderosa que você possui. Quando a urgência do tratamento é evidente (e no caso de TEA, ela sempre é), um advogado pode entrar com uma ação na Justiça e solicitar uma liminar. A liminar é uma ordem provisória que pode ser concedida rapidamente, obrigando o plano ou o SUS a liberar o tratamento imediatamente. Essa é a maneira mais eficaz de garantir que seu filho receba o tratamento necessário sem perder tempo vital.


A Importância do Suporte Especializado e a Força da Informação


A jornada é árdua, mas você não precisa caminhar sozinha. Conhecer seus direitos e contar com o suporte de uma orientação jurídica especializada não é um luxo, mas uma ferramenta estratégica essencial. Isso é fundamental para garantir o futuro e a qualidade de vida do seu filho. A lei existe para ser cumprida, e é seu direito exigi-la.


Informação é poder! Compartilhe este texto com aqueles que precisam desse conhecimento e salve para futuras referências. A luta é difícil, mas juntos somos mais fortes.

1 comentário


Andressa Lima Mangiavacchi
Andressa Lima Mangiavacchi
21 de jul. de 2025

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©2023 por Rogério de Oliveira Fernandes

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