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Violência Patrimonial: O Abuso Silencioso

  • Foto do escritor: Rogério de Oliveira Fernandes
    Rogério de Oliveira Fernandes
  • 1 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura
Uma mulher presa à teia da violência patrimonial
Uma mulher presa à teia da violência patrimonial - Imagem gerada por I.A.

Vamos conversar com honestidade. Alguma destas situações soa familiar?


Você trabalha, tem seu próprio dinheiro, mas precisa "pedir permissão" ou dar longas satisfações para comprar algo para si mesma? Ele insiste em "cuidar" de todas as contas e do seu cartão, dizendo que é "melhor com números" e que você não precisa se preocupar com isso? De repente, um bem da família, como um carro ou um terreno, foi vendido sem a sua concordância plena e você nunca viu a cor do dinheiro?


Se você sentiu um incômodo, um arrepio de reconhecimento ao ler isso, pare tudo. O que você talvez chame de "mania de controle", "jeito dele" ou "organização financeira do casal" pode ter um nome muito mais sério e sombrio. E o mais chocante: é crime.


Essa sensação de estar presa numa teia de aranha financeira, onde você perdeu a autonomia sobre o próprio dinheiro e patrimônio, não é imaginação sua. É uma das formas mais cruéis e silenciosas de abuso, e ignorá-la pode te custar não apenas seus bens, mas sua liberdade e sua paz de espírito.



A Máscara Caiu: Isso é Violência Patrimonial



Vamos direto ao ponto, sem rodeios. O nome disso é Violência Patrimonial. E não, isso não é um termo "da moda" ou uma invenção.


Está claramente definido em lei, mais especificamente na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06), em seu Artigo 7º, inciso IV.


A lei define violência patrimonial como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.


Percebe a gravidade?


O controle excessivo sobre suas finanças não é "cuidado". A venda de um bem sem seu consentimento não é "oportunidade de negócio". Reter seus documentos ou seu cartão do banco não é "organização". É um ato de violência. É uma estratégia de poder para te manter dependente, vulnerável e sob controle. É uma corrente invisível, mas tão aprisionadora quanto grades de aço.



Como a Violência Patrimonial Acontece na Prática?



Esse tipo de abuso é sorrateiro. Ele se disfarça de normalidade e se instala aos poucos na rotina do casal. Muitas mulheres só se dão conta da dimensão do problema quando a relação termina e elas descobrem que não têm nada em seu nome, que estão endividadas ou que o patrimônio que ajudaram a construir simplesmente "desapareceu".


Fique atenta aos sinais. A violência patrimonial se manifesta de várias formas:


  • Controle Absoluto: Ele controla todo o dinheiro que entra, mesmo o seu salário, te dando uma "mesada" ou exigindo notas fiscais de cada pequeno gasto.


  • Sabotagem Profissional: Ele te proíbe de trabalhar ou estudar, ou danifica seus instrumentos de trabalho (como um notebook ou celular) para minar sua independência.


  • Ocultação de Bens: Ele compra imóveis, carros e faz investimentos apenas no nome dele (ou de terceiros, como parentes), mesmo que o dinheiro seja do casal.


  • Dívidas em Seu Nome: Ele usa seu nome e seus documentos para fazer empréstimos e financiamentos sem que você saiba ou consinta plenamente.


  • Destruição e Apropriação: Ele quebra objetos pessoais de valor sentimental, some com suas joias, retém seus documentos ou cartões, ou se recusa a devolver bens que são seus após o término.


  • Não Pagar Pensão: Sim, o não pagamento deliberado e injustificado da pensão alimentícia também é considerado uma forma de violência patrimonial.


Qualquer um desses atos é um grito de alerta. Não é sobre dinheiro. É sobre poder. É sobre te diminuir para que ele se sinta maior.



A Lei ao Seu Favor: O Que a Justiça Pode Fazer?



Aqui está a informação de valor que pode mudar o seu futuro: você não está de mãos atadas. Ao reconhecer a violência patrimonial como uma forma de violência doméstica, a lei te oferece ferramentas poderosas de proteção.


Além do processo criminal que o agressor pode responder, é possível solicitar medidas protetivas de urgência de natureza patrimonial, como:


  • Restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor.


  • Proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum.


  • Suspensão das procurações que você tenha conferido ao agressor.


  • Depósito de valores em conta judicial, como o aluguel de um imóvel do casal, para que não fique sob o controle dele.


Isso significa que um juiz pode, de forma rápida, impedir que ele venda a casa da família ou o carro enquanto o divórcio não é finalizado. É uma forma de estancar a sangria e proteger o que é seu por direito, garantindo que você tenha o mínimo para recomeçar.



Recupere o Controle: O Primeiro Passo é Seu



Eu entendo o medo. O receio de retaliação, a vergonha, a dúvida. "Será que estou exagerando?". A resposta é não. Se você se sentiu controlada, diminuída e privada da sua autonomia financeira, você é uma vítima e precisa de ajuda.


O abuso financeiro é uma das principais razões pelas quais muitas mulheres não conseguem sair de relacionamentos abusivos. Elas se sentem presas, sem recursos, sem ter para onde ir.


Romper esse ciclo começa com um ato de coragem: buscar informação. Entender que a violência patrimonial é real, é crime e que existem mecanismos legais para te proteger. Imagine-se livre dessa angústia. Imagine ter o controle do seu próprio dinheiro, do seu futuro, das suas escolhas. Essa realidade é possível.



Você já viu isso acontecer ou passou por algo parecido?

Compartilhe este post, pode ser o sinal que outra mulher precisa para acordar.


Se essas palavras ressoaram em você como um alarme, não o ignore. O abuso financeiro é uma corrente invisível. Buscar ajuda é o primeiro passo para quebrá-la.


Procure seu advogado de confiança para entender como você pode reaver sua autonomia, seu patrimônio e seus direitos.

1 comentário


Andressa Lima Mangiavacchi
Andressa Lima Mangiavacchi
21 de jul. de 2025

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©2023 por Rogério de Oliveira Fernandes

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