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Saúde dos Filhos: Quem Decide?

  • Foto do escritor: Rogério de Oliveira Fernandes
    Rogério de Oliveira Fernandes
  • 4 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura
Os pais discutindo sobre a saúde dos filhos
Os pais discutindo sobre a saúde dos filhos - Imagem gerada por I.A.

Ele é contra vacinas, citando artigos que viu em grupos online. Você é a favor, seguindo a orientação do pediatra. Ela quer iniciar o tratamento com medicação para o TDAH do filho de vocês. Você prefere tentar apenas terapias alternativas. Ele quer seguir a dieta X para a criança. Você acha um exagero sem base científica.


O divórcio acabou, mas uma nova guerra começou. Silenciosa, exaustiva e perigosa, travada não sobre bens ou dias de visita, mas sobre o corpo e a saúde dos filhos. E eles estão exatamente no meio do campo de batalha.


E enquanto essa batalha de egos e convicções se arrasta, o tempo, o recurso mais precioso para o desenvolvimento de uma criança, é queimado. Tratamentos são adiados, janelas de intervenção cruciais para o desenvolvimento neurológico e físico se fecham, e os danos dessa inércia podem se tornar irreversíveis.


Esse impasse, onde as convicções pessoais de um genitor colidem com as do outro, é uma das situações mais angustiantes da parentalidade pós-divórcio. A pergunta que fica no ar, carregada de medo, é: quando os pais não concordam sobre a saúde dos filhos, quem decide?


Como advogado que atua no epicentro desses conflitos familiares e vive a neurodiversidade de perto, posso dizer: quando o diálogo se esgota e a saúde dos filhos está em risco, a Justiça não joga uma moeda para o alto. Ela tem um critério. E conhecê-lo é fundamental para proteger seu filho.



O Campo de Batalha Legal: Poder Familiar vs. Melhor Interesse da Criança



Para entender como um juiz pensa, precisamos conhecer os atores nessa guerra.



O Poder Familiar


É o direito e o dever que ambos os pais têm de criar, educar e tomar decisões sobre a vida dos filhos (Art. 1.634 do Código Civil). Em tese, a decisão de um tem o mesmo peso da decisão do outro. É por isso que o impasse acontece.



O Melhor Interesse da Criança e do Adolescente


Este é o princípio supremo, o general de cinco estrelas que comanda todo o Direito de Família no Brasil. Está previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ele diz que, em qualquer disputa, a decisão final deve ser aquela que melhor protege e promove o bem-estar físico, mental e emocional da criança.


Quando a saúde dos filhos vira um cabo de guerra, é o "Melhor Interesse da Criança" que irá desempatar o jogo.



O Custo Invisível


É crucial entender um ponto que a lei pondera, mas que para mães, pais e cuidadores, precisam considerar mais do que ninguém: o custo psicológico para a criança.


Para a criança essa guerra de vocês não é sobre teorias ou convicções. É sobre ela.


A criança no centro de um conflito parental intenso frequentemente desenvolve um sentimento de culpa, acreditando ser a causa da briga entre as duas pessoas que mais ama. Esse fardo emocional é devastador, podendo gerar ansiedade, depressão e dificuldades de relacionamento que levará para a vida adulta. A Justiça sabe disso.


Esta é a base de tudo. Entender essa hierarquia é o primeiro passo para a vitória do seu filho. Salve este post para ter este conceito sempre claro.



O Veredito da Justiça: Na Dúvida Entre Crença e Ciência, a Lei Fica com a Ciência



Aqui está a resposta que muitos procuram: quando um pai defende uma posição baseada em crenças pessoais, filosofia de vida ou informações sem validação científica, e o outro apresenta uma solução baseada em evidências médicas sólidas e no consenso da comunidade científica, a Justiça brasileira tem sido consistente em priorizar a ciência.


Um juiz não vai entrar no mérito se a vacina X é "boa" ou se a Ritalina é "ruim". Ele não é médico. O que ele vai fazer é analisar as provas e decidir com base no que os especialistas e a ciência estabelecida dizem ser o mais seguro e benéfico para aquela criança específica. O direito à saúde dos filhos se sobrepõe à liberdade de crença dos pais.



O que um Juiz Analisa para Decidir sobre a Saúde dos Filhos?



Para que a balança pese para o lado certo, você precisa apresentar as provas certas. O juiz irá considerar:


  1. Laudos e Relatórios de Especialistas: A opinião do pediatra, do neuropediatra, do psiquiatra infantil, do alergista. Laudos detalhados que justifiquem a necessidade do tratamento ou da vacina são a prova mais poderosa.


  2. Protocolos e Diretrizes Oficiais: O Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde, por exemplo, tem um peso legal e científico imenso. Desafiá-lo exige uma justificativa médica muito robusta (como uma contraindicação formal por alergia).


  3. Recomendações de Sociedades Médicas: Pareceres da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), entre outras, servem como prova do consenso científico sobre determinado tratamento.


  4. O Histórico de Saúde da Criança: A decisão levará em conta as necessidades individuais da criança, baseadas em seu histórico médico documentado.


Percebe? Não é uma batalha de "quem grita mais alto". É uma batalha de quem apresenta as melhores evidências. Compartilhe este checklist com quem está vivendo este dilema.



Razão para o Campo Emocional



Entendo perfeitamente a angústia por trás das decisões sobre a saúde dos filhos. A escolha de medicar uma criança com TDAH, por exemplo, é carregada de medos e incertezas. Não há respostas fáceis.


Mas no campo jurídico, a bússola precisa ser clara. E essa bússola aponta para a proteção da criança, amparada pelo que a ciência tem de melhor a oferecer e é necessário lutar para que essa bússola não se perca em meio às batalhas de ego e às guerras de desinformação.


Se o diálogo com seu ex-parceiro sobre a saúde dos filhos se tornou um campo minado e uma decisão precisa ser tomada, a inércia não é uma opção. A Justiça pode ser provocada a intervir e garantir que a escolha seja pautada no bem-estar da criança, e não no conflito dos pais.



Se este tema te trouxe uma direção, siga meu perfil. Aqui, a lei é apresentada como ela deve ser: uma ferramenta para proteger. Deixe sua dúvida nos comentários, ela pode ser a de muitos.


Lembre-se: a saúde dos filhos não é negociável. Consulte seu advogado de confiança.

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©2023 por Rogério de Oliveira Fernandes

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