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VIOLÊNCIA VICÁRIA: Punição Através de Quem Você Mais Ama

Foto do escritor: Rogério de Oliveira Fernandes
Rogério de Oliveira Fernandes
15 de jun.
6 min de leitura
Mãe protegendo filha de violência doméstica — vicaricídio e violência vicária na Lei 15.384/2026
Mãe protegendo filha de violência doméstica — vicaricídio e violência vicária na Lei 15.384/2026

O que você encontrará neste post:

  • O que é violência vicária e vicaricídio juridicamente

  • Lei 15.384/2026: nova criminalização e penas severas

  • Sinais de alerta para mulheres em relacionamento tóxico

  • Como denunciar e se proteger

  • Direitos de mães vítimas de violência vicária

  • Passo a passo prático para segurança e acesso à Justiça

"A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar."

(Martin Luther King)



Existe uma forma de punir uma mulher sem tocá-la. Pune-se o filho, a mãe, a irmã, o pai, ou qualquer outra pessoa que lhe seja importante.


Essa frase, dita por especialistas em violência de gênero, resume a brutalidade de uma forma de crime que durante décadas ficou invisível na lei brasileira, pelo menos até 10 de abril de 2026.


Nessa data foi pulicada a Lei 15.384/2026 que criou um crime específico para essa atrocidade: a violência vicária e o vicaricídio — reconhecendo como crime hediondo com pena de 20 a 40 anos de prisão.


Se você está ou esteve em relacionamento tóxico onde seu companheiro ameaçava levar os filhos, machucá-los ou usá-los como "vingança" pela sua separação, você precisa ler este artigo até o final.


Porque a lei está do seu lado. E ela não está para brincadeira.



O Que É Violência Vicária? Definição Jurídica e Prática


Violência vicária é quando um agressor ataca pessoas queridas — especialmente filhos — com o propósito deliberado e específico de causar sofrimento, punição ou controle a uma mulher.


O conceito foi cunhado pela psicóloga argentina Sonia Vaccaro em 2012. A palavra vem do latim vicarius, que significa "substituto". Literalmente: o agressor usa o filho como substituto para atingir a mãe.


Não é o abuso comum, não é briga por guarda, mas algo muito mais cruel, é uma forma de tortura psicológica e, em casos extremos, morte.


A violência vicária pode ser:

  • Verbal: pai ameaçando tirar a guarda, dizer que "se filho não vai mais te ver"

  • Psicológica: alienação parental, usar filho como "espião" ou transmissor de mensagens

  • Física: agredir o filho na frente da mãe ou negligenciar cuidados médicos a fim de causar medo na mãe

  • Letal: levar filho a óbito para punir/destruir a mãe — agora tipificado como vicaricídio



H2: Lei 15.384/2026 — A Nova Criminalização do Vicaricídio


Até 2026, essa forma perversa de violência não tinha tipificação penal específica. Condenava-se como homicídio comum — e a intenção de punir a mãe ficava invisível nos autos processuais, mas isso mudou.


Art. 121-B do Código Penal:

"Matar descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher, com o fim específico de causar-lhe sofrimento, punição ou controle, no contexto de violência doméstica e familiar. Pena: reclusão, de 20 a 40 anos."


Causas de Aumento de Pena:

A pena pode aumentar de 1/3 até a metade (agravante) se o vicaricídio ocorrer:

  • Na presença da mãe — aumentando o sofrimento psicológico

  • Contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência — vulnerabilidade das vítimas

  • Em descumprimento de medida protetiva de urgência — desrespeito ao Judiciário


Por exemplo: Um homem ameaçado por medida protetiva que mataria seu filho para "vingar-se" da ex enfrenta pena mínima de 20 anos + 1/3 = aproximadamente 26,7 anos.



Classificação Como Crime Hediondo


Vicaricídio agora é crime hediondo. Isso significa:

  • Regime inicial fechado — sem progressão imediata para semiaberto

  • Vedação de anistia, graça ou indulto — pena deve ser cumprida

  • Proibição de liberdade condicional — até 2/3 da pena

  • Avaliação criminológica mais rigorosa — para progressão de regime



O Caso de Itumbiara: A Lei Chegou Tarde Demais para essa Família


Thales Machado e os dois filhos, vítimas de violência vicária
Thales Machado e os dois filhos, vítimas de violência vicária — Foto: G1

Falar de vicaricídio sem mencionar Itumbiara é impossível.


Em 11 de fevereiro de 2026, Thales Naves Alves Machado, secretário municipal de Governo, atirou contra seus dois filhos — Miguel (12 anos) e Benício (8 anos) — e depois se suicidou.


Em um contexto de crise conjugal, possível separação, recusa do pai em aceitar a vontade da esposa, Thales postou carta nas redes sociais culpabilizando a esposa, colocando-se como vítima, construindo uma narrativa de vitimização enquanto comete o ato mais brutal possível contra os filhos para destruir a mãe.


A tragédia chocou o Brasil, mas poderia ter sido evitada se os sinais de risco tivessem sido, de alguma forma, reconhecidos. Dois meses depois a Lei 15.384/2026 foi sancionada — em tempo recorde no Congresso Nacional.



Sinais de Alerta: Seu Companheiro Está Praticando Violência Vicária?


Violência vicária não começa com óbito. Começa sutil. Progressiva.


Se você reconhecer qualquer desses padrões, procure ajuda imediatamente:


Sinais Verbais e Psicológicos:

  • Usa filho como moeda de troca: "Se você não voltasse, ele nunca mais te veria"

  • Faz ameaças sobre guarda: "Vou tirar ele de você", "Ninguém vai acreditar em mãe que..."

  • Faz alienação parental sistemática: insiste que filho é "contra você", que você é "vilã", que ele "não quer mais te ver"

  • Monitora filho para "espiar" você: pergunta tudo que você faz, com quem está, quanto gasta

  • Viola sigilo com filho: repassa conversas íntimas suas, usa filho para transmitir mensagens ameaçadoras


Sinais Físicos:

  • Agride filho na sua frente para "te mostrar" que tem poder sobre os dois

  • Negligencia cuidados médicos ou escolares como forma de "punir" você através do filho

  • Restringe contato abruptamente — sem motivo jurídico, só para magoar

  • Ameaça de morte explícita:  "Se você me deixar, ele não sobrevive", "Prefiro vê-lo morto a criado por outra pessoa"



Qual É o Seu Direito Como Mãe Vítima De Violência Vicária?


Medidas Protetivas de Urgência

Você pode requerer à Justiça, em caráter emergencial e sem esperar processo, as seguintes proteções:

  • Afastamento imediato do agressor de seu domicílio

  • Proibição de aproximação você e dos filhos (distância mínima legal)

  • Monitoramento eletrônico (tornozeleira — nova medida de 2025)

  • Suspensão ou restrição de visitas aos filhos

  • Guarda provisória exclusiva dos filhos a você

  • Proteção policial quando houver risco imediato

Essas medidas não exigem condenação anterior. Basta demonstrar risco.


Investigação Policial e Processo Criminal

Se há ameaça específica contra filhos:

  • Registre BO (Boletim de Ocorrência) delegacia especializada

  • Solicite investigação por crime de ameaça (art. 147, Código Penal)

  • Se houver lesão corporal dos filhos: crime de violência doméstica (Lei Maria da Penha)

  • Se houver morte ou tentativa: vicaricídio (Lei 15.384/2026)

Ministério Público pode agir de ofício se houver risco evidente.


Direitos Sucessórios e de Guarda

Homem condenado por vicaricídio:

  • Pode perder poder familiar (pátrio poder)

  • Fica impedido de herdar bens das vítimas (Código Civil)

  • Não tem direito a visitas ou guarda futura

  • Responsável por reparação civil — indenizar mãe por danos morais



Como Denunciar Violência Vicária: Passo a Passo


Passo 1 — Documentação Imediata

Reuna agora:

  • Screenshots de ameaças (WhatsApp, SMS, redes sociais)

  • Áudio/vídeo de ameaças se tiver

  • Registros de mensagens do agressor para o filho (conteúdo abusivo)

  • Calendário anotando datas de abusos, negligências, comportamentos tóxicos

  • Fotos de lesões corporais do filho (se houver)

  • Relatórios escolares ou psicológicos do filho documentando comportamento ansioso/traumatizado

Guarde em local seguro — nuvem com acesso apenas seu, pen drive guardado, e-mail pessoal.


Passo 2 — Procure Atendimento Especializado

Delegacia da Mulher ou Delegacia Especializada em Crimes Domésticos:

  • Registre BO detalhado

  • Leve documentação que reuniu

  • Solicite investigação por violência vicária


Se não houver delegacia especializada:

  • Delegacia comum, mas peça para formular como "violência doméstica e familiar" (Lei Maria da Penha)


Passo 3 — Requisição de Medida Protetiva de Urgência

Pode ser feita:

  • Delegada de polícia/policiais (medida emergencial)

  • Ministério Público

  • Judiciário direto (promotor encaminha para juiz)

  • Você mesma com ajuda de advogado

Tempo: decisão em horas/dias, não em meses.


Passo 4 — Acompanhamento com Advogado Especializado

Consulte advogado em direito de família/violência doméstica para:

  • Ação de guarda exclusiva

  • Processo criminal contra agressor

  • Indenização por danos morais

  • Reparação civil pelos filhos vítimas



O que Fazer Agora se sua Vida ou a Vida de Quem Você Ama Corre Risco Imediato:


Emergências

Chamado de emergência:

  • Polícia Militar: 190

  • Disque Denúncia: 100 (violência contra mulher)

  • Ligue 180: 180 (orientação jurídica 24h mulheres em violência)


Abrigos de Proteção

Se você e os filhos estão em risco iminente:

  • Procure abrigo de emergência (Secretaria de Assistência Social sua cidade)

  • Defensorias públicas podem intermediar proteção

  • Você tem direito a desaparecer legalmente do agressor


Proteção Digital

  • Bloqueie redes sociais

  • Mude números de telefone se necessário

  • Avise escola/creche do filho sobre restrições de busca

  • Documente tudo digitalmente



A Lei Reconhece. Agora é Com Você.


Até 10 de abril de 2026, violência vicária não tinha nome na lei, mas agora tem. E tem 20 a 40 anos de prisão como resposta, porém a lei só protege quem a conhece. E quem denuncia.


Se você está em relacionamento onde filho é usado como arma, onde ameaças contra ele são reais, onde você sente que companheiro capaz de tudo — esse artigo é seu chamado para agir.


Você não está sozinha. Ministério Público para te apoiar. Justiça existe para proteger. Advogados existem para lutar por você. Esse homem não tem poder sobre você e seus filhos.



Disclaimer: Conteúdo estritamente informativo e educacional, não constituindo consulta jurídica. Cada situação exige análise individualizada - contate seu advogado de confiança.


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©2023 - 2026 por Rogério de Oliveira Fernandes

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